Besouro Mangangá
A palavra capoeirista assombrava homens e mulheres, mas o velho escravo tio Alípio nutria grande admiração pelo filho de João Grosso e Maria Haifa. Era o menino Manoel Henrique que, desde cedo, aprendeu, com o mestre Alípio, os segredos da capoeira na rua do Trapiche de Baixo, em Santo Amaro da Purificação, sendo batizado como tal.
Muitos e grandiosos feitos lhe são atribuídos. Diziam que não gostava da polícia (que diversas vezes frustrou-se ao tentar prendê-lo), que tinha o "corpo fechado" e que balas e punhais não podiam feri-lo. Certa época, quando Besouro trabalhou numa usina, por não receber o ordenado, segurou o patrão pelo cavanhaque e o obrigou a pagar o que lhe devia.
As circunstâncias de sua morte são contraditórias. Há versões que afirmam que Besouro morreu em um confronto com a polícia; outras, que foi traído, com um ataque de faca pelas costas. Esta última é muito cantada e transmitida oralmente na capoeira. Um fazendeiro, conhecido por dr. Zeca, após seu filho Memeu ter apanhado de Besouro, armou uma cilada, mandando-o entregar um bilhete a um amigo que administrava a fazenda Maracangalha. Tal bilhete pedia para que seu portador fosse morto. Besouro, analfabeto, não pôde ler que aquele bilhete era endereçado ao seu assassino e que esclarecia que o portador era a vítima, ou seja, ele próprio. Assim, no dia seguinte, ao voltar para saber a resposta, quarenta soldados o estavam esperando. Um homem conhecido por Eusébio de Quibaca acertou-lhe nas costas com uma faca de tucum (ou ticum), um tipo de madeira, tida como a única arma capaz de matar um homem de corpo fechado.Besouro Mangangá por causa da sua facilidade em desaparecer quando a hora era para
Manduca da Praia
Manduca da Praia, homem de negócios, respondeu a 27 processos por
ferimentos graves e leves, sendo absolvido em todos eles pela sua
influência pessoal e de amigos.
Era pardo claro, alto, reforçado, usava barba grisalha. Sua figura
inspirava temores para uns e confiança para outros. Vestia-se com
decência, chapéu na cabeça, usava um relógio que era preso por uma
corrente de ouro, casaco grosso e comprido que impressionava as pessoas
com seu porte, usava como arma uma bengala de cana-da-índia e a ele
deviam respeito.
Certa vez na festa da Penha brigou com um grupo de romeiros armados de
pau, ao final da briga deixou alguns inutilizados e outros estendidos no
chão, entre outras brigas e confusões. Ganhava bastante dinheiro, seu
trabalho era uma banca de peixe que tinha no mercado, vivia com regalias
e finais de semana saia para as noitadas.
Morador da Cidade Nova, era capoeira por conta e risco assim disse Nulo
Moraes. Manduca não participava da capoeiragem local, não recebia
influência nem visitava outras rodas, pode-se dizer que ele era um
malandro nato. Manduca da Praia conquistou o título de valentão,
subestimando touros bravos, que sobre os quais saltava quando era
atacado.
Por volta de 1850, Manduca "iniciou sua carreira de rapaz destemido e
valentão, dotado de enorme força física e "destro como uma sombra",
Manduca cursou a escola de horários integral da malandragem e da
valentia das ruas do Rio de Janeiro na época de perigosos capoeiras
como, Mamede, Aleixo Açougueiro, Pedro Cobra, Bemetevi e Quebra Coco.
Desde cedo destacou-se no uso da navalha e do punhal; no manejo do
petrópolis - um comprido porrete de madeira-de-lei, companheiro
inseparavel dos valentões da época - na malícia da banda e da rasteira; e
com soco, a cabeçada e o rabo de arraia tinha uma intimidade a toda
prova. Tinha algo que o destacava e diferenciava de seus contemporâneos -
facínoras, valentes e rufiões - fazendo que se tornasse uma lenda viva,
e mais tadre um mito cantado e celebrado até os dias de hoje:uma
inteligência fria, calculista e implacável; uma sede de poder, de status
e de dinheiro; tudo isso aliado a uma visão de comerciante e de homens
de negócios. Fez fama e dinheiro. Foi famoso temido e respeitado.
Nascimento Grande
Conta a história que Nascimento Grande nunca perdeu uma briga. Morreu aos 90 anos. Não era de seu caráter provocar brigas, mas uma vez provocada,ninguém o segurava. Vários capoeiristas tentaram destronar Nascimento Grande para ficar com sua fama, mas, todas as tentativas foram em vão. Da mesma maneira que Besouro tinha poderes sobrenaturais e que era protegido por um “patuá”, conta-se que Nascimento Grande também tinha o “corpo fechado” e usava um amuleto no pescoço para se proteger dos inimigos e das forças negativas. Ninguém pode garantir, mas, o que todos diziam é que até mesmo as balas não atravessavam seus corpos.
Nascimento Grande teve dois inimigos que queriam lhe matar de qualquer maneira; eram eles: CORRE HOJE e ANTONIO PADROEIRO. Uma vez, Corre Hoje foi ajudado por sete homens na tentativa de liquidar Nascimento Grande e no final, encontrou a morte, atingido por uma bala perdida, destinada a Nascimento Grande. Antonio Padroeiro também teve seu fim tentando assassiná-lo; foi desarmado e espancado até a morte. Nascimento Grande tinha um lado parecido com Besouro, bastante característico nos capoeiristas; o de gostar de ridicularizar os inimigos. Uma vez foi atacado por PAJÉU, malfeitor conhecido. Ele lhe deu uma rasteira e o vestiu com roupas de mulheres, o que provocou deboches do publico. Outra vez, em que ele estava cercado por dez soldados numa rua sem saída, ele subiu em um telhado baixo e saltou sobre eles, dando-lhes bengaladas.
De todas as brigas, a maior foi contra JOÃO SABE TUDO,um outro famoso valentão de Recife. Os dois evitavam se encontrar, pois, sabiam que com certeza haveria briga. Certo dia encontraram-se perto do Largo da Paz; eles se cruzaram e a briga começou na mesma hora. João Sabe Tudo com uma peixeira e Nascimento Grande com sua bengala. A cidade inteira estava em volta deles para assistir ao espetáculo. O tempo passava, mais a briga se tornava surpreendente. Nascimento Grande e João Sabe Tudo, avançavam e recuavam, descendo a rua Imperial no meio aos golpes de bengala, rasteiras e muito mais. Eles saíram na Matriz de S. José e entraram, se batendo, na igreja, acompanhados pela multidão. Nesse momento apareceu o vigário, os obrigando a parar em respeito à casa de DEUS; mandando os dois apertarem as mãos. Contra vontade, os dois apertaram as mãos e nunca mais brigaram.
Maria Felipa de Oliveira
Como lembrei no texto Onde estão as capoeiristas da história,
em geral as mulheres capoeiras que se destacaram no passado ficaram
esquecidas. Mas é importante conhecer a história dessas mulheres que são
exemplo de coragem, persistência e determinação.
Uma dessas mulheres é Maria Felipa, a guerreira de Itaparica.
Maria Felipa de Oliveira viveu na Bahia no século XIX e teve um importante papel na Guerra da Independência, que ocorreu entre 1822 e 1824, para reafirmar a independência proclamada em 7 de setembro de 1822, até que esta fosse reconhecida por Portugal.
Na Bahia, assim como nas províncias de Cisplatina (onde atualmente é o
Uruguai), Piauí, Maranhão e Grão-Pará, devido à concentração
estratégica de tropas do Exército Português, as lutas foram mais
acirradas. Quando a tropa portuguesa comandada pelo General Madeira de
Melo tentou invadir a Ilha de Itaparica para controlar a guerra a
partir da Bahia de Todos os Santos, Maria Felipa liderava as vedetas
(vigias) da praia, um grupo de 40 mulheres que entrou no acampamento do
exército português, atacou os guardas com galhos de cansansão, uma
planta que provoca sensação de queimadura ao toque com a pele, e
puseram fogo em 42 embarcações, promovendo baixas no exército.
Além de guerreira, Maria Felipa também atuou na gerra como enfermeira, socorrendo feridos, além de trazer para a resistência em Itaparica informações da guerra obtidas nas rodas de capoeira do Cais Dourado, para onde ia remando sua canoa.
Há quem acredite que Maria Felipa seja a identidade verdadeira de Maria Doze Homens, que ganhou este apelido após deixar doze homens no chão, porém não existe confirmação a respeito e há ainda outras versões, em uma das quais Maria Doze Homens teria sido companheira de Besouro Mangangá.
O atestado de óbito datado de 04 de janeiro de 1873, confirma que Maria Felipa sobreviveu à guerra e continuou levando sua vida na ilha por muitos anos, porém de seu nascimento nada se sabe.
A heroína foi retratada na obra de Ubaldo Osório, A ilha de Itaparica, e no romance Sargento Pedro, do escritor baiano Xavier Marques, onde são são contatos vários feitos atribuídos à capoeirista.


14:55
Unknown



0 comentários:
Postar um comentário